Monday, July 28, 2008

Na minha opinião... THE DARK KNIGHT

Ponto prévio: 'Dark Knight' é realmente tão bom quanto o hype gerado à sua volta fazia crer.

Em palavras do Boga "O filme so não é melhor porque logo à partida já sabíamos que ia ser muito bom". Dessa conversa ainda surgiu outra ideia comum: tirava meia hora ao filme, só não sei onde.

Concluído este à parte, venha o Cavaleiro das Trevas. É de conhecimento geral que os dois primeiros Batman são muito bons (porque são de Tim Burton) e os dois que se seguiram são no mínimo maus (porque o Joel Schumacher 'é fraco'. ah, e porque o bat-fato tinha mamilos!) ainda que essa não seja a nossa opinião, mas parece bem partir deste pressuposto. Sinceramente não tenho uma opinião tão extrema. Qualquer dos filmes tem coisas boas e mas, talvez os de Burton tenham mais coisas boas que os de Schumacher, mas não consigo inclui-los numa lista de melhores obras do criativo realizador.

Mas com Batman Begins coube a Christopher Nolan dar seguimento à saga do homem morcego. O título denunciava-o e o filme comprovou-o, não se tratava de uma continuação mas sim de um reboot á serie cuja fama ja tinha conhecido melhores dias. Escolha acertada e executada de forma brilhante com uma abordagem diferente, mais real e mais terra-a-terra que o habitual nestas adaptações de super herois.

A primeira abordagem de Nolan ao universo de Gotham City elevou a fasquia de tal maneira que a curiosidade e a expectativa em torno deste 'Dark Knight' disparou a partir do momento em que foi anunciado.

Após meses de promoção nos media, com vários trailers diferentes, falsos sites dedicados à campanha de Harvey Dent, edições em papel do Gotham Globe entre outros meios originais para chamar a atenção para a chegada do Cavaleiro o filme estreia.

As primeira reacções não podiam ser mais positivas: tratava-se de um filme fantástico, o Joker de Heath Ledger erao maior vilão do grande ecrã de todos os tempos e o filme teria de aparecer na corrida aos Oscar.

E não é que não estes declarações exageradas? O filme é sem dúvida espectacular. Muito se falou em como este não deveria ser encarado não como mais um filme de super heróis mas deveria mais facilmente encaixar na categoria de thrillers como Heat (onde destacam o duelo Joker vs Batman, comparando-o com o que opõe De Niro a Al Pacino no filme de Michael Mann). As comparações a Heat tornaram-se exageradas e gratuitas, quase um lugar comum nas primeiras análises a 'Dark Knight' mas a cena inicial do assalto ao banco, aqueles tons azulados que dominam quase todas as cenas do filme e o embate entre os protagonistas recordam-nos claramente alguns trabalhos de Michael Mann, como o citado 'Heat' e 'The Insider' por exemplo. Digamos que se a câmara fosse mais 'irrequieta' ou tivesse sido filmado em formato digital ficaríamos na duvida se não havia ali mão do veterano realizador americano.

A história pega pouco depois de onde '..Begins' nos tinha deixado: Gotham City continua a ser dominada pela mafia, agora com Salvatore Maroni (Eric Roberts) a liderar o sub mundo do crime, mas agora em menor escala com o vigilante mascarado a tentar repôr a ordem. Nesta luta contra o crime e corrupção Batman conta com um aliado de peso, a acrescentar ao seu parceiro nas forças policiais James Gordon, que é Harvey Dent(Aaron Eckhart), o novo Procurador Geral de Gotham City.

Se esta luta não já não se afigurava fácil a chegada de Joker não veio facilitar em nada. O objectivo? Não e dinheiro, não é poder, não é fama. É simplesmente espalhar o caos ao mesmo tempo que demonstra a falta de esperança no ser humano da actualidade. E isto remete-nos para o segundo ponto no que diz respeito a elogios que é a transformação de Heat Ledger em Joker.

É simplesmente arrepiante e ao mesmo tempo desconcertante. Já tinha admitido que não via em Ledger capacidades representativas que justificassem tanto elogio, algo que pensei estar associado ao seu falecimento prematuro.Após ver 'Dark Knight', retiro tudo o que disse. Este filme coloca Ledger entre os grandes e o seu Joker na galeria dos maiores vilões de sempre na história do cinema, ao nível de Hannibal Lecter, numa história mais recente.

O movimento, os tiques, a voz, é uma composição simplesmente fantástica. Não acredito que o trabalho para criação desta personagem não tenha afectado Heath Ledger tal é a sua demência e perversidade. Nolan quis tornar este Joker absoluto dando-nos tudo em Dark Knight para compreendermos e apreendermos na totalidade deste vilão e conseguirmo-nos afastar por completo daquele criado por Jack Nicholson (as semelhanças ficam-se pelo nome e com um bocado de boa vontade, pela maquilhagem).

Quanto ao terceiro ponto, os prémios, é mais complicado e nem ache que o filme necessite disso. A altura em que 'Dark Knight' é lançado, mascarado de blockbuster de Verão, mostra mais preocupações a nivel comercial do que artístico. Mas até Fevereiro não se esqueçam de Ledger pelo menos.

Já muito se disse do filme e duvido que tenha acrescentado alguma coisa, só ha uma ideia a reter: 'Dark Knight' é um filme brilhante que nem se deve usar como termo de comparação com qualquer filme de super-heróis feito até a data.

Claramente, a ver.

Monday, July 14, 2008

Na minha opinião... THE HAPPENING

Se recuarmos uns anos era isso mesmo que era cada filme lançado por Shyamalan: um acontecimento. Depois da surpresa que foi 'Sixth Sense' e do brilhante 'Unbreakable'cada filme lançado pelo indiano gerava no mínimo curiosade, quanto mais não fosse pela característica reviravolta que aguardava pelos espectadores no fim de cada película.

Depois veio 'Signs', nem sempre foi bem interpretado, 'The Village' gerou muita discussão e 'Lady of the Water' arrasou por completo todo o hype que se vinha a gerar em volta de Shyamalan considerando-o um dos autores mais criativos do cinema moderno.
Pessoalmente, gostei de 'Signs' - se o enquadrar-mos correctamente - e defendi 'The Village' em algumas discussões. Até 'Lady in the Water' não me desapontou tanto
quanto esperava (tal não era a onda negativa associada ao filme). Ou seja, continuo a achar Shyamalan um excelente contador de histórias, mas reconheço um querbra de forma se tivermos como base de comparação o promissor início de carreira.

Mas voltando a 'The Happening', o filme apareceu de mansinho, sem estardalhaço muito por culpa da dificuldade que teve em arranjar distribuição - o conto da senhora das águas deixou feridas profundas. O poster era enigmático, o trailer pouco mostrava e a curiosidade era apenas provocada pelo nome do autor debaixo do nome do filme.
Se este nome provocava curiosidade já o outro causava desconfiança : Mark Wahlberg. É certo que esteve bem em 'The Departed' e 'I Heart Huckabees' mas não lhe reconheço mérito para um papel principal num filme destes. Mas podia tratar-se de mais uma aposta bem sucedida como foi Bruce Willis em 'Sixth Sense' e 'Unbreakable'. Mas não...

O set up inicial promete, com um Central Park mergulhado num caos total à medida que as pessoas que por lá passam começam a aplicar golpes fatais no próprio corpo. E de Nova Iorque começa a espalhar-se por toda a costa Este dos EUA, incluinda Filadélfia, onde o nosso 'herói' dá aulas de ciências. Que provoca este comportamento? Será um ataque terrorista?
O filme tenta explorar a angustia causada por este 'ataque' e toda a incerteza gerada principalmente em redor da familia de Elliot (Wahlberg) mas para que tal fosse bem sucedido a tarefa não podia ficar a cargo do Marky Mark e companhia. Num filme que vive essencialmente do drama humano e das relações pessoais, exigia-se mais competência na arte da representação do que aquilo mostrado por todo os protagonistas. Wahlberg é inexpressivo e quando tenta mostrar algo que fuja ao seu típico durão acaba por parecer ridículo, Zooey Deschanel é uma cara bonita no ecrã mas tem nas mãos uma personagem demasiado confusa para ser construída tão à pressa de modo eficiente, e até John Leguizamo parece abaixo do que já mostrou ser capaz.

O filme é mau? Sinceramente não acho. O tema é interessante embora curto (ou mal aproveitado) para encher 90 minutos mas tem bons momentos (destaco a fotografia ao longo de todo o filme) e levanta algumas questões.
Não é este que vai tirar a corda do pescoço de Shyamalan mas talvez dê um bocado de folga no nó.

Para quem viu : The Mist, Signs, War of The Worlds