Monday, January 14, 2008

Noticias - Globos de Ouro

Ainda que sem cerimónia (pelo menos no sentido habitual da palavra) foram conhecidos ontem os vencedores dos Globos de Ouro. Segue a lista:

Categorias de cinema:
BEST MOTION PICTURE, DRAMA
"Atonement"


BEST MOTION PICTURE, MUSICAL OR COMEDY
"Sweeney Todd"


FOREIGN LANGUAGE PICTURE
"The Diving Bell and the Butterfly"


BEST DIRECTOR
Julian Schnabel, "The Diving Bell and the Butterfly"


BEST DRAMATIC ACTOR
Daniel Day-Lewis, "There Will Be Blood"


BEST DRAMATIC ACTRESS
Julie Christie, "Away From Her"


BEST ACTOR, COMEDY OR MUSICAL
Johnny Depp, "Sweeney Todd"



BEST ACTRESS, COMEDY OR MUSICAL
Marion Cotillard, "La Vie en Rose"


SUPPORTING ACTOR
Javier Bardem, "No Country for Old Men"



SUPPORTING ACTRESS
Cate Blanchett, "I'm Not There"


ANIMATED FILM
"Ratatouille”



SCREENPLAY
Joel Coen and Ethan Coen, "No Country for Old Men”


ORIGINAL SCORE
Dario Marianelli, "Atonement”


SONG
"Guaranteed" from "Into the Wild"


Umas breves considerações:

· A corrida para melhor filme dramático era renhida mas “Atonement” consegui levar a melhor deixando para trás fortes candidatos como eram “There Will be Blood” e “No Country for Old Men” conquistando aqui o seu único ‘globo’.

· O musical de Tim Burton conseguiu roubar o Globo a ‘Charlie Wilson’s War’ na categoria de melhor comédia ou musical e dá o primeiro globo a Johnny Depp (após a sua oitava-!- nomeação). Será algum indício para os Oscar?

· Daniel Day Lewis, ao que parece, arranca mais um brilhante desempenho em “There Will Be Blood” e á semelhança de Depp consegue o seu primeiro ‘globo’ num papel violento\sangrento à semelhança de Bill ‘The Butcher’ Cutting the “Gangs of New York” que o levou apenas até ao grupo de nomeados.

· Na categoria de melhor actriz numa comédia ou musical a luta também era cerrada e foi a francesa Marion Cotillard na sua encarnação de Edith Piaf em “La Môme” quem levou a melhor inclusive sobre a jovem Ellen Page que viu o seu “Juno” sair sem um único globo apesar das boas críticas e 3 nomeações.

· A omnipresença de Philip Seymour Hoffman nos nomeados para melhor actor (secundário em ‘”Charlie Wilson’s War” e principal em “The Savages”, aos quais eu juntava “Before the Devil Knows You’re Dead”) de pouco lhe valeu perdendo o ‘globo’ para Johnny Depp, como já referido anteriormente, e Javier Bardem numa categoria onde se esperava que Casey Affleck tivesse uma palavra a dizer.

· Apear do favoritismo e das muitas distinções obtidas até aqui, Amy Ryan (“Gone Baby Gone”) perde o ‘globo’ de melhor actriz secundário numa comédia ou musical para Cate Blanchett e a sua transformação na versão eléctrica de Bob Dylan em “I’m not There”.

· De França vem uma das maiores surpresas:Julian Schnabel leva o ‘globo’ de melhor realizador. Ao se lado corriam Tim Burton , Ridley Scott, os irmãos Coen e Joe Wright. Ganhar é sempre bom mas contra adversários destes a sensação só pode ser ainda melhor. Este prémio leva-nos a pensar se terá sido propositada a não inclusão de “Le Scaphandre et le Papillon” como candidato francês ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (“Persepolis” foi o escolhido, filme que curiosamente foi derrotado na categoria equivalente nestes Globos de Ouro). Será que ambiciona voos mais altos?

· Eddie Vedder ganha um ‘globo’...(Guaranteed de “Into the Wild”).

Tuesday, January 8, 2008

Noticias - Greve de Argumentistas faz mais 'vítimas'

Quando me preparava para deixar umas linhas sobre o que achava dos nomeados,vencedores e mais fortes candidatos a tudo o que é prémio referente ao ano que terminou há dias, leio que a cerimónia de entrega dos Globos de Ouro foi cancelada.
Depois de vários actores (a lista ultrapassava os 70 nomes entre eles George Clooney,Julia Roberts, Jodie Foster ou Johnny Depp) declararem que iriam boicotar a cerimónia não comparecendo mostrando assim solidariedade pela causa que os argumentistas defendem, a organização decidiu cancelar o evento anunciando os vencedores em conferência de imprensa este domingo.
Até quando durará a greve? Até ao momento o cinema tinha conseguido passar um pouco ao lado deste movimento de revolta apesar da quantidade de projectos que terão ficado suspensos e até mesmo adiados, sendo a TV a grande prejudicada a curto prazo. Esta decisão, juntamente com os $$$ que os estúdios perdem por cada dia a mais que este braço de ferro dura, será que irá precipitar a conclusão das negociações? Esperemos sim, todos ganhamos.

Monday, January 7, 2008

AMOR INDEPENDENTE


Afinal de contas o que é cinema independente? Se olharmos para a definição na Wikipedia, diz-nos que se tratam de filmes de baixo orçamento produzidos por pequenos estúdios. Há tambem a quem defenda que este termo designe filmes mais artisticos e com menos procupações comerciais.


É tudo muito bonito na teoria mas não é bem assim. A Miramax, outrora (no tempo dos irmãos Weinstein) uma produtora que arriscava em novos valores e em projectos ‘de autor’, começa a aparecer com regularidade nomeada para grandes prémios e a assemelhar-se aos grandes estudios no que diz respeito a investimentos para novos projectos. Outros dos baluartes para o cinema indie era o festival de Sundance.


Tomei conhecimento do festival numa visita ao video clube com o filme ‘Hurricane’ (não é aquele com Denzel Washington mas sim o realizado por Morgan J. Freeman), onde este tinha ganho o prémio da público. O filme convenceu-me e comecei a prestar atenção ao que saía deste festival ‘inventado’ por Robert Redford, antes de se tornar um supermercado de novas tendências.


É verdade que este festival que veio do frio nos deu a conhecer realizadores altamente estimulantes (Vincent Gallo, Darren Aronofsky, Richard Kelly) e filmes que irão marcar o cinema das últimas décadas (‘Donnie Darko’, ‘Memento’,’Primer’, ‘Narc’) mas o espírito independente tem-se vindo a perder.


Os três exemplos que falo de seguida todos abordam o mesmo tema, de maneira diferentes mas sente-se o espírito rebelde e revoltado do cinema independente em cada fotograma. O tema? O Amor.

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Começando por ‘London’; há caras conhecidas de blockbusters (Jessica Biel, Chris Evans e Jason Statham) mas a cedência comercial fica-se por aqui. Syd (Evans), a recuperar do fim de uma relação, acaba por encontrar no seu fornecedor de droga, Bateman(Statham) algo mais que interesse negocial. Nessa noite London(Biel), a ex de Syd dá uma festa de despedida no seu apartamento e mesmo sem ser convidado, Syd e Bateman decidem aparecer.

A partir do momento que chegamos a festa , o espaço parece encolher à medida que o desespero de Syd aumenta para conseguir voltar a falar com London depois do fim abrupto da sua relação. Esta diminuição de espaço é reflectida no filme pois a acção a partir de certo momento passa a limitar-se ao que decorre na casa de banho. Os convidados que entram pelos mais diversos motivos, as conversas de ocasião que facilmente resvalam para algo mais profundo, as confissões\confusões de Syd e Bateman, tudo isto flui a bom ritmo entre cortado com flashbacks da vida de casal, poucos meses antes. E se os flashbacks nos mostram um relação intempestiva, os diálogos de Syd mostram-no como uma pessoa perturbada e extremamente emocional mas cujo o verdadeiro grande problema é continuar apaixonado.


Em ‘Cashback’, uma curta vencedora é estendida e promovida a motion picture. Tal operação é concluída com alguns precalços mas o saldo é positivo podendo-se chegar a considerar um sucesso. Após uma separação dolorosa, Ben começa a sofrer de insónias e após passar noites a fio acordado decide que pode fazer algo mais util com este tempo e começa a trabalhar no turno da noite num supermercado. É aqui que Ben descobre que é capaz de parar o tempo e capturar momentos de rara beleza em que ele é o único ser animado neste mundo.

Ainda que há primeira vista possam ver aqui um candidato a figurar em Heroes, devido a este estranho poder, importa perceber a metáfora desta paragem e da separação destes dois mundos. Prestando atenção a todo o ‘crescimento’ de Ben e ao momento em que este tenta trazer Sharon para o seu mundo, esta dualidade de universos é quase palpável mas ao mesmo tempo surreal.

O facto de ter tido como origem um curta-metragem leva a que certos segmentos do filme pareçam deslocados ou até desnecessários mas analisado como um todo temos um filme, ainda que por vezes demasiado marcados por traços de pretensiosismo desnecessário, de grande emotividade.


Para o fim o melhor, ‘Once’.No papel não podia ser um “boy-meets-girl” mais banal (até no genérico os protagonistas são identificados como guy e girl) mas olhando para dentro do filme encontramos muita mais. Ele repara aspiradores e nos tempos que livres vagueia com a sua guitarra pelas ruas de Dublin dando (boa) música a quem passa e juntando uns euros, ela emigrou desde a república checa á procura de oportunidades juntamente com a mãe e o filho, deixando para trás o marido. Conhecem-se na rua e cria-se uma ligação começando com observação, passando por um favor e consolidando-se com o gosto comum pela música tendo o ponto alto num momento musical de rara beleza (na loja de instrumentos).

A música está presente em todo o filme mas desenganem-se os que esperam um musical aborrecido repleto de números minimalistas – afinal de contas, maior parte do tempo temos ‘ele’ com uma guitarra sozinho do ecrã. O que podemos assistir é ao encontro de dois seres perdidos que vêm um no outro o que lhes faltava para completar o seu mundo mostrado com uma sensibilidade extrema.

A determinda altura ele se ela ama o marido. A resposta vem em checo e a menos que o espectador domine a lingua, estamos perante momento ao nivel da despedida de Scarlet Johanson a Bill Murray em ‘Lost in Translation’. A nossa percepção é a mesma, com a diferença de agora termos o protagonista tambem afectado pela confusão da resposta (em ‘Lost...’ Murray teve a sorte(?) de ouvir a resposta).

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Mais que a discussão acerca do tempo de recuperação após a ruptura de um relação em ‘London’, o mundo parado em ‘Cashback’ ou as sessões de estúdio de ‘Once’ interessa ver como um sentimento tão único e pessoal é mostrado de forma tão sincera e humana. Afinal de contas isto também é ser indie: ter o coração ao pé da boca e não ter problemas em assumi-lo.