Saturday, May 19, 2007

Misc - À conquista de Hollywood

Os fãs do chamado cinema fantástico têm este mês motivos de alegria com a estreia de dois títulos que se esperam bem interessantes nas salas portuguesas.Temos ‘Ils’ dos fanceses David Moreau e Xavier Palud e ‘The Messengers’ dos irmaõs Pang.

Esta dupla de irmãos de Hong Kong é já veterana nestas andanças mas com ‘The Messengers’ têm a sua primeira incursão em Hollywood. Seguem assim o caminho já percorrido por Takashi Shimizu e Hideo Nakata, realizadores orientais dedicados ao cinema fantástico com créditos firmados nos seus países de origem (o primeiro responsável pela saga ‘Ju-On’ e o segundo por ‘Ringu’). Os irmãos Pang deram-se a conhecer com o brilhante ‘The Eye’ chamando atenção para o bom cinema de terror que se fazia por aqueles lados. Seguiram-se títulos menos bem conseguidos mas regressaram à forma o ano passado com ‘Re-Cycle’. Mas ao contrário Nakata e Shimizu, a sua entrada em Hollywood não vai ser através do remake do seu maior sucesso. ‘The Eye’ vai ter direito à versão ‘americana’ mas pelas mãos de David Moreau e Xavier Palud.

A estreia destes jovens realizadores dificilmente podia ter corrido melhor. Com um orçamento muito reduzido e baseando-se num mito urbano Romeno, conseguem com ‘Ils’ criar um ambiente de enorme tensão e desassossego constante no espectador. Embora a premissa inicial nos possa fazer lembrar de ‘Blairwitch Project’ (um mito, orçamento quase nulo) desenganem-se, aqui temos cinema a sério e não um home video filmado na floresta. Sem me alongar em comentários ao filme (ainda lhe dedicarei um espaço aqui) posso dizer que serviu como cartão de visita que lhes valeu a confiança para re-interpretar ‘The Eye’. É certo que os remakes de sucessos do cinema de terror não estão em alta quanto mais não seja pela quantidade que tem aparecido nos últimos anos, mas mesmo assim esta dupla tem aqui uma oportunidade para se afirmar.

Veremos como correm as coisas. Para já parecem não estar a correr bem para Danny e Oxide Pang a julgar pelas críticas que ‘The Messengers’ tem recebido. Mas de qualquer dos modos já têm outro filme na calha e um que eles conhecem bem: um remake (que surpresa!) do seu primeiro grande sucesso, ainda antes de ‘The Eye’, ‘Bangkok Dangerous’ com Nicholas Cage. Cinema de acção de Hong Kong+Hollywood+Nic Cage...soa muito a ‘Face Off’ sem John Woo, mas não deixa de despertar curiosidade.

Monday, May 14, 2007

Na minha opinão... SPIDER MAN 3

Este terceiro capitulo da serie é mais negro, tem mais e melhor acção e muito coração mas nem por isso é o melhor.

E é o fim. Será? Mesmo que não seja o fim da série será certamente o fim de um ciclo. 'Spider Man 3' funciona bem como conclusão dos dois filmes feitos anteriormente. O que acontecer daqui para a frente dever ser encarado como um novo ciclo. Mas fará sentido ver nos próximos tempos outro actor dentro do uniforme do aracnídeo que não Tobey Maguire? Haverá outra Mary Jane sem ser Kirsten Dunst? Que outro realizador trataria este herói com a reverência de Sam Raimi? Só com o passar do tempo se saberá mas com o filme a preparar-se para bater recordes de bilheteira um pouco por todo o mundo dificilmente os produtores virarão as costa a oportunidades de continuar a facturar à conta do herói mais rentável da Marvel.
Aparte das especulações, falemos do real e actual, de Spider Man 3. O filme começa algum tempo depois de onde o segundo capítulo nos tinha deixado. A relação entre Peter Parker e MJ está mais madura, o Homem Aranha é adorado por todos (se exceptuarmos J Jonah Jameson, claro está)tornado Nova Iorque mais segura que nunca e Mary Jane parece estar a começar uma carreira promissora no mundo do espectáculo.
Mas toda esta calma é apenas aparente. Harry Osborn prepara-se para vingar a morte de seu pai, Green Globin, às mãos do Aranha, e delinquente de bom coração vê-se transformado no monstro de areia Sandman. Como se não bastasse, um ser(?) vindo do espaço prepara-se para se apoderar de Peter Parker tornando-o mais determinado e agressivo. Ah, e ainda há espaço para Venom, 'O' arqui inimigo de Homem Aranha.
Parece muita coisa? É sem dúvida e por isso o filme estica-se por cerca de duas horas e meia. Estica-se ou arrasta-se? O filme parece ter alguns problemas de ritmo, ora com sequências de acção alucinantes seguidas de momentos de reflexão de qualquer umas das nossas personagens havendo até espaço para cenas que parecem tiradas de outro filme. Sam Raimi quis criar aqui um objecto de devoção a este herói mas o resultado final não é completamente satisfatório. Há demasiadas personagens, muitas delas sem espaço para se desenvolverem, que não adiantam nada a história apenas tornando-a mais dispersa. O próprio homem aranha sofre demasiadas alterações ao longo do filme. Talvez de modo a acentuarem o seu lado mais negro quando possuído pelo simbionte, no resto do filme vimo-lo ora fragil ora a transbordar confiança como não tínhamos visto até aqui. Tudo isto dá um ar humano a este herói mas acaba por parecer deslocado por acontecer entre uma fuga ao Green Goblin Jr e uma luta com Sandman.
Mas há coisas boas. Os actores voltam a estar bem, inclusive os recem-chegados Topher Grace e Bryce Dallas Howard e principalmente Bruce Campbell na sua brevíssima aparição. As sequências de acção superam tudo o que possamos estar a espera, são mais reais, mais rápidas, mais imersivas. E os efeitos especiais que suportam essa sequências são fantásticos. Mas não chega...
...talvez por as expectativas estarem demasiado altas, fica alguma sensação de desilusão no final no filme. Mas se pensarmos no que poderia ser feito para o melhorar tambem parecem não surgir respostas. Todas estas contradições de sentimentos possivelmente por nos estarmos a despedir deste nosso herói.

Para quem viu: Spider Man 1 e 2

Tuesday, May 1, 2007

Misc - Documentários

O desaparecimento recente de Jack Valenti, presidente da MPAA (MotionPictures Association of America, responsável pela classificação dos filmes nos EUA) fez-me lembrar um documentário lançado recentemente que pretendia clarificar a função desta associaçao com um funcionamento quase maçónico. Refiro-me a "This Film is Not Yet Rated".
Kirby Dick lidera uma missão de tentar descobrir quem são os elementos que constituem esta associção "secreta" que supostamente deveriam representar o americano comum, bem como tentar perceber quais o parametros de classificação dos filmes. Seria o sexo mais penalizado que o sangue? Aceitaria-se mais facilmente grandes doses de violência do que demonstrações de afecto entre seres do mesmo sexo? Rapidamente se conclui que as regras não são claras nem sequer coerentes. Pelo meio surgem declarações de alguns dos realizadores mais 'sacrificados' por este método de classificação como é o caso dos criadores de South Park, Trey Parker e Matt Stone devido a Team America, Kevin Smith, Limberly Peirce ou Atom Egoyan.
Em toda esta investigação até há espaço para uma dupla de detectives nada convencional que, com as devidas distâncias, não deixa de fazer lembrar a personagem de Frances McDormand em 'Fargo'.

Ainda relacionado com o meio cinematográfico saiu tambem "Going to Pieces: The Rise and Fall of Slasher Film". O nome é bem claro, uma visão sobre os últimos anos do cinema de terror, mais concretamente os slashers (embora haja espaço para outros estilos dentro deste género de cinema), sub- género que conheceu a sua explosão nos anos 80. Obras como "Halloween", "Friday 13th" ou "Nightmare on Elm Street" ditaram as regras e não lhes faltaram fiéis seguidores com variáveis níveis de qualidade. O filão foi explorado até a exaustão (prova disso são as intermináveis sequelas dos 3 títulos referidos) e neste documentário presenciamos a queda do género, a perda de interesse por parte do público e a ausência de receitas. Situação que viria a ser invertida por "Scream" que joga com as estritas regras do slasher-movie, subverte-as a seu favor e consegue recuperar o interesse por estas emoções.
Testemunhos de John Carpenter, Sean S. Cunningham e Wes Craven são extreamente valiosos para conseguir perceber e contextualizar a necessidade do aparecimento deste género. E não faltam referências para os 'novos mestres' como Rob Zombie, Eli Roth ou James Wan. Estarão ao nível das expectativas? Os próximos anos servirão para dissipar essa dúvida.

Dois documentários interessantes que me chegaram às mãos numa altura em que estes deixaram de estar confinados a horários sombrios no segundo canal da estação pública de televisão.
Michael Moore apareceu com a sua visão inflamada da realidade norte americana numa fusão de realidade e 'ficção' dando ao documentário mais ar de 'cinema' e não de algo que pudéssemos estar a ver no Discovery Channel. Este ano tivemos a preocupação ambiental do século transmitida por Al Gore em "An Inconvinient Truth" e seguimos a vida no Ártico em "March of the Penguins". Ainda haverá espaço para conspirações corporativas em "Who Killed the Electric Car" e dúvidas religiosas em "Deliver Us From Evil".
Os documentários encontraram o seu espaço. Não só passaram a estrear comercialmente nos cinemas como têm eventos próprios (DocLisboa). Podem ter os diversos fins (derrubar um presidente, alertar para questões ambientais, relatar épocas culturais) mas em última instância o seu objectivo é informar. E o facto de eles existirem deve-se ao facto de existir quem queira ser informado.